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Revell Tupolev Tu22 Blinder 1/72
Por:  (Outros modelos do autor)
Curitiba - PR

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INTRODUÇÃO:
O Tu-22 Blinder foi o primeiro bombardeiro supersônico a ser empregado operacionalmente pela URSS. Ele era derivado do Tu98 Backfin, um avião que apesar da denominação, era somente para prova de conceito. Possuia fuselagem comprida e estreita, e asas com alto grau de enflechamento. Seu desenho é muito parecido com o interceptador Tu-128 Fiddler. A diferença básica está no posicionamento dos motores. Os motores, aliás, ficam em suportes laterais na base da deriva, mas seus estabilizadores não são em T, como geralmente são aviões nessa configuração, dando um aspecto muito singular ao avião.

O Blinder sempre foi um projeto muito complicado. Suas asas muito enflechadas exigiam elevadas velocidades de pouso e decolagem, além de ser difícil de manobrar. Dos 311 Blinder fabricados, pelo menos 70 foram perdidos em acidentes operacionais.

O Tu-22 foi exportado para a Líbia e Iraque, onde chegaram a atuar como bombardeiros táticos nos conflitos locais. Pouco se sabe a respeito dos Tu-22 Líbios, exceto pelas fotos de sua interceptação sobre o Mar Adriático, durante sua entrega. Fotos desse evento foram base para a arte que estampa a caixa da Revell. Acredita-se que os mesmos não estejam mais em condições de voo, embora estejam em posição operacional, em imagens por satélite (29°11'58.18"N 16°00'26.17"E).

O Iraque recebeu cerca de 12 Tu-22, sendo que 7 deles foram perdidos em combates na guerra Irã-Iraque. Os demais foram destruídos na operação Tempestade no Deserto, em 1991.

O fim da União Soviética decretou o fim dos Tu-22. Complicado de manter e de voar, e obsoleto operacionalmente, o último deles foi desativado em 1991.

O INTERESSE:
O Tu22 nunca foi um avião que eu gostasse. Em 2008, na Superkits propos-se a primeira maratona 24h, onde eu achei que esse kit seria um desafio interessante. Na verdade, o kit é grande, mas não é muito complicado (em termos de Out-of-the-Box), com poucas peças e bom encaixe. No entanto, acabei trocando o kit utilizado na mesma e levando o Tu22 para casa. O Tu22 ficou pronto em 24 meses, uma pequena mudança de unidade.

Inicialmente, a intenção seria fazer a versão Líbia (LARAF), mas confesso que fui mordido pela inveja. Nas pesquisas sobre o modelo, acabei encontrando essa review, de Yuvali Kizner. Bom, daí meu kit que estava quase pronto foi pra soda e comecei a fazer as modificações para fazer o modelo Soviético.

O MODELO:
Esse é o único kit de Tu-22 existente até hoje. Foi fabricado pela ESCI (depois AMT) por volta de 1980. Possui linhas em baixo relevo, boa injeção e bons encaixes. No entanto, há um problema que elimina praticamente todas as vantagens: Como foi produzido durante os tempos da Cortina de Ferro, obviamente, não havia acesso às plantas e o kit foi projetado no olhômetro. Há erros de medidas e proporções em praticamente todas as partes. Essa feature é comum a todos os kits soviéticos produzidos antes de 1991.

Esse mesmo kit é comercializado pela Italeri na versão Iraquiana e pela Revell, que permite fazer a versão Líbia e Soviética. No entanto, é importante frisar que os aviões de exportação não possuiam o mesmo radar sugerido pelo kit, usando um nariz praticamente cônico. Quem se aventurar a fazer essas versões, terá ainda esse trabalho a mais.

A MONTAGEM:
Como dito, o kit possui uma quantidade infindável de erros. Algumas que eu vi corrigidas no modelo do Kizner, e que tentei fazer no meu:

  • A fuselagem é muito curta. é preciso aumentar cerca de 2,2cm no encaixe atrás do canopi com o corpo do avião. Há um set em resina, para os interessados.
  • Colocar strakes de reforço na parte inferior dos estabilizadores.
  • Os trens-de-pouso e rodas estão completamente errados.
  • As aletas sobre as asas estão em formato incorreto.
  • O kit vem sem sonda de reabastecimento (opcional, nesse caso).
  • É preciso acertar o diedro dos estabilizadores (ligeiramente positivo) e das asas (ligeiramente negativo).
  • Detalhes no motor.
  • Fazer abertura na lateral direita, na posição do bombardeador.
  • As luzes atrás da cabine do copiloto devem ser desbastadas (o kit até traz esse detalhe, mas de maneira muito fraca).

Aqui, uma lista das mudanças que eu NÃO FIZ (que existem o modelo de Kizner). Cito-os, caso alguém queira aceitar o desafio. Na verdade, se você se ater a todos os erros, acaba chegando a conclusão que é melhor não montar e esperar um improvável lançamento da Trumpeter.

  • As turbinas estão em formato errado. Seu formato não lembra um arco de elipse e sim uma união de dois cilindros de diâmetros diferentes (algo parecido com uma garrafa de vinho, menos pronunciada, é claro).
  • O queixo de sapo do radar, não é tão volumoso nas laterais e está com um desenho errado.
  • A raíz das asas não possuem as luvas que vem no kit.
  • Formato errado na parte traseira da empenagem (incluíndo leme, encaixe do motor, radar e canhão).
  • O formato do canopi frontal está com ângulos incorretos.
  • O chapeamento dos paineis, em todo o kit, está errado.

Bom, vamos à motagem de fato. O cockpit é bem simples, embora possuam decalques para todos os painéis. Não vale a pena perder tempo com o mesmo, pois quase nada é visível. A exceção seria umas molduras internas que ficam colocadas próximos às janelas e visíveis por fora. Isso também está no kit do Kizner. Eu não o fiz pois ai teria que desmontar grande parte do kit que já estava pronta.

Como disse, o nariz para versões de exportação são cônicos. Como iria fazer a versão da LARAF, cheguei a trabalhar no mesmo. Aos interessados, a dica é montar o nariz original e fazer um cópia sólida em resina. Após isso, vai-se debastando a resina até conseguir o resultado ideal. Eu cheguei a fazer isso, mas como mudei de idéia, acabei colocando o nariz original de volta no kit.

A extensão da fuselagem foi feita da seguinte forma. Monta-se as duas partes da secção frontal e usa-se a base a mesma para fazer um molde em resina. A peça deverá ficar de pé, pois só se aproveita parte da base. Como o nariz começa a afunilar logo na base, não deve-se tirar molde de toda a parte a ser extendida (cerca de 2cm). Deve-se tirar dois moldes do fundo com cerca de 1cm e uní-los.


Foto do molde em silicone, tirado a partir da base do nariz.

A extensão é relativamente trabalhosa, não pelo processo, mas porque a pintura em Metal Natural (URSS) sempre ressalta os erros. Todas as emendas e furos devem ser pacientemente corrigidos. Os strakes nos estabilizadores foram feitos com tiras de fita adesiva metálica.

O trem-de-pouso foi outra parte que deu trabalho, mas o resultado me agradou bastante. Os trens-de-pouso originais me levam a reforçar a teoria de que o kit foi feito se nenhuma planta. O formato, as medidas e proporções são totalmente incorretos. A única coisa correta é a quantidade de rodas de cada conjunto.



O antes e depois dos conjuntos de trem-de-pouso.

Com base em esquemas de um livro sobre o Tu22, consegui fazê-los melhorados. Primeiramente, os trens-de-pouso foram cortados, aproveitando-se somente a base mais importante para trabalhar o conjunto. As peças eram encaixadas pacientemente. O trabalho, à primeira vista, impossível, é facilmente executável se você fizer um pouquinho a cada dia. Para as rodas, existe um fabricante russo que faz rodas e pneus de borracha, chamado Equipagge. No entanto, além de carríssímo, o item estava em falta.

As rodas do trem-de-pouso principal foram copiadas a partir de rodas de um F102 Delta Dagger, 1/48. O problema eram as rodas do trem dianteiro. Inicialmente, eu estava esperando meu Tu22M da Trumpeter chegar, pois o conjunto dianteiro é o mesmo. No entanto, como tudo estava praticamente pronto e só faltava isso (e a encomenda não chegava), resolvi improvisar algo para poder terminar o modelo. Após algum tempo, verifiquei que a roda do trem principal original era praticamente do diâmetro do trem dianteiro (!!! Eu falei que era desproporcional). Eu só lixei um pouco a banda de rodagem, para diminuir o tamanho. O problema agora era a calota, no formato de um cone negativo. Para isso, primeiramente eu furei a roda, retirando o miolo original e coloquei um base da pérola, que você acha em loja de montagem de bijuterias. Essa improvisação, seria até chegar as rodas definitivas, mas eu gostei bastante do resultado e para valorizar o trabalho artístico, acho que vai ficar em definitivo. Parafraseando Vinicius, "Temporário enquanto dure!".

Os motores, apesar de errados, eu os mantive quase originais. Apenas fazendo pequenos detalhes existentes no real. eu fiz uma pequena grade lateral, com pedaços de plasticard (após aplicados e colados, lixar até ficar na altura da superfície); algumas tomadas de ar, próximos à seção traseira e retirei alguns dos gomos na parte frontal.

Uma coisa que não estava nos planos, mas me interessou foi um AS6 Kingsfish, que me foi cedido pelo colega modelista Kiko. Embora em já estivesse com o kit quase totalmente montado, sua instalação não foi complicada. Bastou usar o próprio míssil como guia e cortar a parte do bombay onde o míssil ficava encaixado. O míssil é da Trumpeter e precisou de uns acertos. Coloquei uma aleta inferior, e pelo que vi, a barbatana de cauda é dobrada.

O kit não traz a a sonda de reabastecimento. No entanto, há uma marca no nariz para encaixe da mesma. Acredito que isso vinha no molde original da ESCI. Eu fiz o conjunto em scratch. A base foi feita com Durepoxi e acertada com lixa. O tubo com um pedaço de sprue levemente esticado. A ponta é a cabeça de um AIM9 Sidewinder e a aleta é feita com um pedaço de plasticard. O conjunto deve ser colado somente no final da montagem, para evitar esbarrões.

PINTURA E DECAIS:
A pintura, como de praxe, foi feita com tintas metálicas a base de poliéster. Sempre trabalhando com um tom médio em toda a fuselagem e fazendo chapeamentos com um tom mais fosco e outro mais brilhante. O Tu22 é cheio de partes brancas que não consegui identificar exatamente o que são. Imagino que seja algum primer ou proteção contra ferrugem, já que a maioria é vista em aviões mais velhos. Pelo que vi, não há um padrão formal do que é pintado e o que não é. Alguns aviões possuem o canopi pintado, outros não e por ai vai.

Um detalhe é que o kit da Revell traz umas instruções com o Tu22 chapeado totalmente diferente das linhas do kit. Provavelmente foi desenhado a partir, agora sim, de uma planta. Isso leva a alguns problemas de interpretação quando se tenta fazer as máscaras para as partes brancas sugeridas e também para o posicionamento dos decais.

Os decais, são poucos, reduzindo-se a 6 estrelas, duas nose-arts (imagino que seja de um Tu22 no final da URSS, já que esse tipo de arte não era permitido/comum no regime soviético) e os números do avião. Por fim, o kit foi bastante sujo com betume e lavado com aguarraz (A aguarraz não reage com tintas duco e poliéster). Como eu quiz representar um avião mais velho, eu deixei a parte inferior visivelmente mais suja que a parte superior, visto que o óleo se acumula mais ai.

CONCLUSÃO:
Esse é um kit que eu não recomendo para os perfeccionistas. Como disse, é muito trabalho para um avião nem tão bonito (embora no final, de tanto olhar, eu já tenha mudado de idéia sobre isso). Ele pode ser montado facilmente se você quiser um brinquedão, mas muito trabalhoso como miniatura em escala.

Embora não seja minha intenção fazer a linha de Tupolevs, de "sem-querer" em "sem-querer", acho que isso vai acabar acontecendo, pois já montei o Tu2, nesse mesmo esquema e pelo visto outros virão.

Pra dizer que não falei de flores, pelas minhas contas (que não são muito precisas), esse é o meu kit de número 100.


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