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Boleslaw Gladych (Killer Mike)

Se totalmente confirmadas, as aventuras do polonês Boleslaw Gladych seriam dignas de um filme de aventuras. A primeira vez que vi algo sobre ele foi num livro de Mike Spick sobre ases e saí pesquisando, pois achei a história interessante. Nas fontes que encontrei, existem variações, controvérsias e o texto abaixo é uma colcha de retalhos do que parece ser consenso. E, como disse o jornalista em "O Homem Que Matou o Fascínora" (1962), de John Ford: "Se a lenda é melhor que o fato, publique-se a lenda" (versão nacional para "When the legend becomes fact, print the legend.")...


Boleslaw "Mike" Gladych e um de seus P-47D Thunderbolt do 61st FS, provavelmente "Pengie III". "Pengie" era o apelido da namorada dele, uma canadense da WAAF.

Nascido em Varsóvia, em maio de 1918 (algumas fontes dizem 1910), Gladych ingressou na escola de pilotos de Deblin em 1938. Entretanto, antes mesmo de completar seu treinamento como piloto de caça, a Alemanha invadiu a Polônia em setembro de 1939. Ele já pilotava vários modelos de aviões e chegou a combater a Luftwaffe, mas acabou fugindo para a Romênia, onde foi feito prisioneiro.

Pouco depois, Gladych escapou do campo de internação Turnu Severin - alegadamente matando um guarda no processo - e conseguiu chegar à França, onde se juntou ao "Scadron Finlandais", um esquadrão voluntário composto de poloneses, que iria combater os soviéticos ao lado dos finlandeses. Isso acabou não acontecendo e o esquadrão se tornou o Groupe de Chasse I./145, equipado com os novos caças Caudron Cr.714 Cyclone. Era um avião novo e interessante, mas que sofria com vários problemas técnicos. Mesmo assim, após a ofensiva alemã de maio de 1940, o esquadrão combateu bravamente.

Em junho de 1940, Gladych participou de um dramático duelo com um Bf 109. Depois de um longo e duro combate, o piloto alemão conseguiu atingir seriamente o avião do polonês. Surpreendentemente, porém, o piloto do Messerschmitt - que ostentava o código "13" em branco - ao perceber a situação desesperadora do avião de seu oponente, agiu com honra: emparelhou com Gladych, balançou as asas e abandonou o combate. E o polonês não foi o único piloto aliado que passou por essa situação...

Após a rendição da França, Gladych conseguiu alcançar a Inglaterra. Em abril de 1941 ele finalizou seu treinamento em caças da RAF e foi destacado para o Squadron No. 303, logo depois conquistando sua 1┬¬ vitória aérea e a 250┬¬ vitória alcançada por pilotos poloneses servindo no Reino Unido. Em 23 de junho de 1941, o esquadrão participou de duas missões sobre a França e, nas duas ocasiões, abateram aviões inimigos. Gladych abateu quatro Bf 109 e abalroou um quinto, que foi contabilizado como provável. Gravemente ferido na colisão, conseguiu alcançar a costa inglesa, onde fez um pouso forçado com seu Spitfire Mk V. De julho a setembro de 1942, Gladych foi membro do Squadron No. 302 "City of Poznan", código "WX". Depois de uma pausa nas operações, ele retornou à mesma unidade em dezembro e, no começo de 1943 foi promovido a Flight Leader.


Gladych posando no cockpit de "Pengie", um Spitfire do Squadron No. 302 da RAF.

Na primavera desse ano, durante uma encarniçada batalha sobre a cidade de Lille, Gladych abateu um inimigo e, logo depois, um Fw 190 atingiu diversas vezes seu avião. Apesar de severamente danificado, o avião de Gladych conseguiu permanecer em vôo e, repentinamente, o piloto alemão emparelhou com ele, balançou as asas de seu Focke-Wulf e afastou-se. Gladych ainda teve tempo de ver o código "13" pintado na fuselagem de seu cavalheiresco oponente...

Foi então que o azar - por falta de termo melhor - atingiu duramente Gladych no outono de 1943. Num episódio um tanto obscuro, ele quase abateu por engano o avião que levava o Primeiro-Ministro, Winston Churchill. O Alto Comando inglês exigiu que ele fosse punido e decidiu proibir que ele voasse - um duro castigo para um piloto de caça.

Um dia, entretanto, Gladych encontrou Franciszek Gabryszewski, mais conhecido como Cap. Francis Gabreski, da USAAF - que terminou a guerra como o maior Ás americano do ETO e que também havia combatido em um esquadrão polonês na RAF. "Gabby", como era chamado, ofereceu a Gladych a oportunidade de voar com o 56th Fighter Group, o Zemke's Wolfpack", equipado com o P-47 Thunderbolt. Gladych conseguiu "arrancar" uma licença da RAF e logo estava organizando treinamento de combate para pilotos inexperientes. Com o 61st FS ele tomou parte em muitas missões de combate e em 21 de fevereiro de 1944, ele abateu dois Bf 109s em uma única missão.


Pilotos polonêses do 61st FS, 56th FG. A partir da esquerda: Boleslaw Gladych, Tadeusz Sawicz, Francis Gabreski, Kazimierz Rutkowski, Tadeusz Andersz e Witold Lanowski.

Em 8 de março de 1944, o 56th FG estava escoltando bombardeiros sobre a Alemanha, com Berlim como alvo principal. Gladych entrou em violento dogfight contra três Fw 190, um dos quais ele abateu. Após uma longa perseguição, se viu em baixa altitude, separado de seus companheiros e ameaçado pelos dois caças inimigos restantes. Com o combustível e a munição de seu P-47D "Pengie II" em níveis preocupantes, não havia chance de escapar. Os alemães cessaram fogo e um dos Fw 190 emparelhou com Gladych e sinalizou para que ele os seguisse e pousasse. O código? É claro que era "13"!!


P-47D-10-RE s/n 42-75140 "Pengie II", o avião que Gladych pilotou na missão de 8 de março de 1944.

Encurralado, Gladych não teve alternativa. O aeródromo alemão de Vechta ficava próximo e, obedientemente, ele seguiu para lá, sob a escolta dos dois aviões alemães. O polonês foi reduzindo a altitude e baixou os trens de pouso, aparentemente se preparando para a aterrisagem e já se conformando com uma temporada em algum Stalag.

Já na cabeceira da pista e sob o olhar atento das baterias Flak do campo, Gladych inesperadamente acelerou e abriu fogo. A resposta das baterias alemãs foi tão imediata quanto desastrada, atingindo "Weisse 13". Na confusão que se seguiu, ele e o outro Fw 190 fugiram da linha de fogo e Gladych escapou a toda velocidade. Ao cruzar o Canal da Mancha, seu combustível acabou e ele teve que abandonar seu Thunderbolt. Por essa missão, ele recebeu a "Silver Star e o apelido de "Killer Mike", de seus colegas americanos do grupo.


Foto dedicada a Gladych pelos pilotos do 61st FS

Alguns dias após o fim da guerra, a carreira de piloto de Boleslaw Gladych simplesmente acabou. Ele terminou a guerra com 18 vitórias, embora relatórios não confirmados o creditem com até 26 vitórias - contando com as obtidas voando pela Polônia e pela França. Além de Gladych, outros pilotos polonêses obtiveram sucesso no 56th FG, como Witold Lanowski e Tadeusz Andersz. Embora ele tenha se tornado um duplo Ás voando pela USAAF, ele nunca foi oficialmente integrado a nenhuma unidade americana, tendo sido considerado apenas um "convidado" do 56th FG. No entanto, se utilizou de sua ligação com a USAAF para "extrair" seu irmão de um campo de prisioneiros alemão e que havia sido liberado pelos russos. Ele imaginou que, como polonês e membro da Resistência, seu irmão acabaria deportado para a Sibéria.


A pintura bem incomum de "Pengie V", outro dos "Jugs" usados por Gladych no 61st FS - um P-47M-1-RE s/n 44-21127.

Graças a seus feitos na WWII, ele foi condecorado com a Virtuti Militari (equivalente polonesa da Medalha de Honra americana), Croix de Guerre, Silver Star, três DFCs e outras onze medalhas aéreas. Após a guerra, Gladych imigrou para os EUA, retornou aos estudos e se tornou um psicoterapeuta, tendo se estabelecido com sua esposa Elizabeth em Seattle, no estado de Washington.

Epílogo: In 1950, Gladych visitou Frankfurt e participou de um encontro da "Gemeinschaft der Ehemailigen Jagdflieger der Luftwaffe", uma associação de pilotos veteranos. Inquirido por seus adversários de outrora sobre suas lembranças, ele relatou seus encontros com o misterioso caça com o código "13" e como aquilo havia ficado marcado em sua memória. Ao terminar, percebeu que um dos presentes estava visivelmente tocado. Era o piloto do "Weisse 13", que confirmou os episódios, ele próprio sendo um Ás. Seu nome era Georg-Peter Eder, um "Experte" com 78 vitórias em sua carreira, ao longo da qual foi abatido 17 vezes e ferido em 12 ocasiões, inclusive numa colisão em terra com um Ju 52!


Georg-Peter Eder e seu cachorro.

Eder foi o terror dos bombardeiros quadrimotores americanos, tendo abatido 36, a maior marca da guerra no ETO. E mais: também é creditado a ele outro ato de camaradagem aérea, ocorrido com o Ás Robert S. Johnson. Georg-Peter Eder faleceu em 1986, aos 65 anos.


Fontes:

Texto:

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