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História e Escalas...

Como o próprio nome diz, Ferreomodelismo é o ramo do modelismo que procura reproduzir em escala todos os aspectos do mundo ferroviário real, ou seja, não significa apenas a mera reprodução estática de equipamentos como locomotivas ou  vagões, mas sim de todo o ambiente que cerca uma ferrovia de verdade, incluindo pátios, estações, ramais, desvios e até a reprodução da Operação Ferroviária, ou seja, reproduzir a movimentação de uma ferrovia, incluindo a formação de composições, manobras, engates e desengates, cargas e descargas, partidas e chegadas de composições de carga e passageiros.

Enquanto Hobby, o ferreomodelismo talvez seja o mais completo, pois reúne a possibilidade de detalhamento e miniaturização do Plastimodelismo e a movimentação do Automodelismo, Aeromodelismo e Nautimodelismo, com evidente vantagem sobre esses últimos, que é a possibilidade de ter cenários dinâmicos em pequenos espaços físicos, ao contrário das outras modalidades, que necessitam de campo aberto, piscinas, lagos ou pistas especiais.

Além dessa vantagem de ser praticado em espaços menores, o Ferreomodelismo é o único hobby dinâmico onde o modelista pode interagir com diversos elementos ao mesmo tempo, ou seja, pode rodar várias locomotivas e vagões em uma maquete e ainda reproduzir cenários reais ou imaginários. Talvez por esse motivo seja um dos hobby´s mais praticados na Europa e América do Norte, países onde os rigores do inverno muitas vezes não permitem aos modelistas sair ao ar livre para praticar seus hobbies, alavancando o modelismo ferroviário.

A reconstituição executada "nos mínimos detalhes" é a essência do ferreomodelismo; para tanto são utilizadas diversas escalas de redução de acordo com as aptidões, disponibilidade de espaço e financeira do modelista, com o propósito de serem conseguidas miniaturizações perfeitas.

Abaixo, apresentamos um quadro com as escalas mais comuns no Ferreomodelismo.

Proporção

Bitola

Nome

Observações

1 : 220 6,5mm Z Escala pouco praticada no Brasil. Material 90% Europeu
1 : 160 9,0mm N Vem crescendo no Brasil a partir da redução de custos do material, principalmente o Americano. Maior vantagem no espaço reduzido que utiliza.
1 : 87 16,5mm HO Escala mais comum no Brasil e no Mundo
1 : 76 18,8mm OO Escala que ainda resiste fortemente na Inglaterra
1 : 64 23,0mm S Pouco praticada, voltada para competições
1 : 43,5 32,0mm O Pouco praticada, voltada para competições
1 : 32 44,0mm I Pouco praticada, voltada para competições
1 : 22,5 44,5mm G Pouco praticada, voltada para competições

Sobre as Bitolas

'E importante notar que a escala n~ao necessariamente quer dizer a bitola dos eixos dos trens. Existem diversas bitolas no mundo, sendo que a mais comum 'e a 1453mm, que dividida por 87, d'a 16,49mm (16.5mm), escala HO. Abaixo as bitolas mais conhecidas:

Bitola (mm)País
760África e Índia
1000América do Sul
1067África e Índia
1453Canadá, EUA, Europa
1600Brasil, Irlanda, Austrália
1670Espanha, Portugal, Índia, Alguns países da América do Sul

Alguns países, como o Brasil, em determinados trechos possuem trilhos que compatibilizam duas bitolas. São trilhos onde há uma guia-base e duas guias opostas, onde pode-se trafegar com outro tipo de bitola.

Como e onde surgiu o Ferreomodelismo?

Não se pode precisar exatamente quando surgiu o primeiro modelo em miniatura de uma locomotiva ou vagão, mas certamente desde o advento da Ferrovia na Europa, as pessoas certamente pensaram em ter miniaturas daqueles estranhos engenhos em suas casas, tanto que os primeiros trens em miniatura foram construídos por relojoeiros alemães entre 1850 e 1856 utilizando mecanismos de corda. 

Da reprodução dos modelos à criação de maquetes onde estes pudessem rodar tampouco, deve ter decorrido muito tempo, sendo que a primeira maquete Ferroviária de que se tem notícias foi construída para o filho do imperador Napoleão III em Saint Cloud, perto de Paris. Tinha o circuito "em forma de oito", com locomotiva movida a vapor vivo, puxando quatro vagões em trilhos com bitola de vinte centímetros. 

Na realidade, menos do que uma maquete, era um verdadeiro exemplo do live steam, modalidade que conjuga a reprodução em miniatura dos trens com seu funcionamento através do mesmo combustível que os protótipos, ou seja, vapor e nessa modalidade, pode-se dizer que os modelos são verdadeiras jóias de precisão e delicadeza, com movimentos precisos, sendo reproduzidos manômetro a manômetro, tudo a tubo, detalhe por detalhe das máquinas, para que, elas funcionem como as "de verdade".

Nesses primeiros tempos, como os modelos geralmente eram construídos de forma artesanal por mestres relojoeiros ou artesãos especializados, geralmente para famílias abastadas, os tipos de soluções encontradas para a movimentação dos trens era o mais diverso possível, indo de complicados esquemas de corda ou vapor até os perigosos modelos movidos a eletricidade direta da tomada, ou seja, 110 ou 220 volts, o que eletrocutou certamente mais de um candidato a maquinista mirim.

Aos poucos, com o desenvolvimento de novas máquinas, tecnologias e ferramentas, os produtos manufaturados começaram a ser fabricados em série com uma certa qualidade e o Ferreomodelismo não foi diferente, de forma que o seu desenvolvimento verdadeiramente comercial  iniciou-se em Nuremberg, na Alemanha, em 1859 na fábrica "Marklin" e em 1863 na "Bing". Surgiram também as empresas "Carette"e a "Fleishmann" em 1887.

A "Marklin" lançou o primeiro conjunto completo com locomotiva a corda, vagões, trilhos e acessórios, em 1891. Na inglaterra, a "Basset-Lowve" passou a importar a partir de 1900, miniaturas de modelos ingleses fabricadas na Alemanha.

Nessa época, vivia-se uma transformação social em praticamente todo o mundo, onde a burguesia das cidades começava a enfrentar seus primeiros problemas de espaço, posto que as enormes casas no campo transformavam-se em habitações com menos espaço nas cidade e a operação de mini-ferrovias do porte das existentes na época começava a inviabilizar-se.

Nesse cenário, temos nos Estados Unidos a "Ives" como uma das fábricas pioneiras, mas cabe a Lionel Cowen um espaço destacado nesse universo, pois lançou o seu trem elétrico em 1907 e já em 1914, trens em miniatura com uma escala mais adequada à utilização "caseira",  funcionando com trilhos em baixa voltagem (outra vantagem sobre as perigosas linhas de 110 e 220 volts), através de alimentação com transformadores, que popularizaram a escala "O" (1:43,5) e transformaram o nome LIONEL em sinônimo de Trem em Miniatura até hoje. 

O sucesso foi imediato mas ainda assim na Europa apenas em 1923 eliminaram-se os trens que funcionavam com 110V e 220V, porém coube às empresas européias o lançamento do conceito de Ferrovia de Mesa, ou seja, uma idéia lançada para as vendas de natal daquele ano de uma mini-ferrovia que pudesse ser completamente montada e operada sobre uma mesa normal de jantar.

Dessa forma, a primeira escala em tamanho mais reduzida, chamada de "Ferrovia de Mesa", foi denominada "OO" (1:76), e foi lançada em 1922 pela "Bing" Alemã para o mercado Inglês. O sucesso foi muito grande e estavam lançadas as bases para a difusão da prática do Ferreomodelismo em qualquer residência. Esse sistema utilizava locomotivas movidas a corda com quase metade da escala "O", tinha trilhos com bitola de 16mm, permitindo raios de curva com 36cm. Em 1935 a "Trix" alemã introduziu um sistema elétrico de controle que permitia dois trens elétricos funcionarem simultaneamente nos mesmos trilhos.

A partir daí, aperfeiçoamentos com as diversas escalas associadas aos tipos de bitola existentes levaram ao refino dessa escala, surgindo a escala "HO" ou Half-O, metade da O . Essa escala é em exatos 1:87 e é a mais difundida atualmente no mundo. Foi lançada na década de 50 pelos fabricantes Alemães "Marklin", "Fleishmann" e "Trix". Na Inglaterra porém, convivem as duas escalas, pois a "Hornby", surgida em 1912, fabrica trens na escala "OO"até os dias de hoje, os quais rodam nos mesmos trilhos da escala HO.

Hoje, vemos como normal a utilização da captação da corrente em dois trilhos, como nos protótipos, porém, a  corrente alternada com sistema de três trilhos foi muito utilizada por todos os fabricantes até a década de 50, quando popularizou-se o sistema de corrente contínua (com dois trilhos), novamente através dos fabricantes Alemães.

Isso permitiu o surgimento na década de 60, da escala "N" (1:160), também na Alemanha e finalmente, o lançamento da escala "Z" (1:220) pela "Marklin" em 1972, com trilhos na bitola de 6,5mm.

Hoje em dia, com o aperfeiçoamento das máquinas, moldes e métodos de fabricação, os modelos industriais atingiram um nível de perfeição muito grande, reproduzindo fielmente os detalhes nos modelos.

De qualquer forma, o Ferreomodelismo é um hobby fascinante, envolvente, que desenvolve nos praticantes um elevado senso artístico, habilidades como coordenação motora, paciência e criatividade, enfim, é um companheiro ideal para o relaxamento e eliminação do stress do dia a dia.

Texto: Sociedade Brasileira de Ferreomodelismo
Colaboração:

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