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Revell Mil Mi24 Hind-D 1/48

INTRODUÇÃO:

Por volta de 1986, quando comecei a ter acesso real a informações sobre aviões através de livros (fascículos) que colecionava, conheci o helicóptero Soviético Mi-24. Este aparelho me impressionou muito e pensei: "Um dia vou montar um desses...".

Em dezembro de 2011, através de um "amigo secreto" ocorrido no FF (Finado Fórum), acabei ganhando um kit do Mi-24 na escala 1/48 e posso afirmar com certeza que foi uma surpresa muito agradável.


Esse kit ficou parado um bom tempo na prateleira e muitos amigos começaram a questionar sobre sua montagem, despertando em mim o interesse no estudo do aparelho.

"Estudo"? Isso mesmo! Se você quer fazer uma montagem só para si mesmo e que não vai mostrar para ninguém, pode montar "Direto da caixa" sem pesquisa alguma, apenas seguindo o manual (e se divirta com isso), mas se você pretende montar e compartilhar com as pessoas um modelo seguindo um padrão de qualidade mais apurado no quesito de detalhamentos, é norma pesquisar muito sobre o aparelho real que pretende montar.

"Por quê"? Ora, tudo que se publica (na WEB ou fora dela) recebe a revisão e comentários dos leitores, e com isso você está sujeito a elogios e críticas! E como construtor do modelo, aposto que você não quer ouvir um cara dizendo, "Você errou! Essa peça é assim ou assado..." (e não porque você montou OOB, mas sim porque o manual provavelmente tinha algum erro e você o seguiu, acabando por errar por falta de informação); Conclusão: A informação é Tudo!

Assim, por quase um ano e meio, pesquisei sobre este helicóptero nas horas vagas e consegui muita informação confiável e "não confiável". Esse dito "não confiável" é realmente um problema. Já vi muitos modelistas ditos "veteranos" brigarem e afirmarem com muita certeza sobre determinada informação e essa ser completamente equivocada. Isso porque ele pesquisou e achou em algum lugar alguém falando tal informação e simplesmente "acreditou" nela e passou para frente. Não é assim que funciona! Até mesmo artigos de origem internacional contêm erros grotescos e nem toda informação pode ser considerada válida. A dica para saber distinguir isso é ver se a informação pesquisada "tem embasamento", ou seja: "Provas".

Um exemplo desses, aplicado a este helicóptero é o artigo da Squadron sobre o Hind:


Reparem que o artigo menciona que o "Hind F" usa um canhão GSH de 23 mm e ainda por cima tem uma baia de munição através de duas portas logo abaixo da porta de entrada do piloto... Informações totalmente errôneas, mas que um leitor mais confiante acabaria acreditando pela "fama" positiva que a Squadron/Signal Publications tem no mundo do nosso Hobby!

Esse foi só um exemplo dos muitos erros que encontrei durante minhas pesquisas!


Na foto acima temos um canhão modelo GSH-30K-2 fixo e de cano duplo que usa munição de 30 mm. As duas longarinas presentes acima do canhão são reforços da estrutura prevenindo os danos de recuo desta potente arma. Tais longarinas são presentes apenas nas versões que usam esse tipo de canhão.

Gostou do exemplo? Tenha em mente o seguinte: "Tenha embasamento da informação que for usar"! Posso alegar que "passei vergonha" quando não apliquei essa regra (não só no modelismo, mas também na vida!).

O DESAFIO DA MONTAGEM:

Alguns de vocês já tiveram a curiosidade de pesquisar por montagens deste helicóptero na WEB" Encontra-se de tudo: modelistas que incorporam motores elétricos para movimento das pás dos rotores, luzes de navegação que acendem através de baterias, portas de manutenção móveis, trem de pouso que recolhe e por aí vai...

O interessante dessas montagens é que praticamente nenhuma foi até o fim! Só achei um único modelista no SCALE ROTORS (http://www.scale-rotors.com/) que finalizou um Hind 1/35 com rotores movidos por motores elétricos e alguns leds...



Versão Mi-24V (Trumpeter) na 1:35 contemplando o uso de luzes e motores elétricos para melhor realismo...

Mas e aí? O Hind é um aparelho relativamente grande, e consequentemente os kits dele são grandes o suficiente para se arriscar tais coisas, mas é correto isso no nosso hobby?


Se o objetivo da montagem é obter um modelo que fique o mais próximo possível do aparelho real, então é muito válido fazer isso! Claro, desde que se mantenham as linhas reais do modelo estático (que este não fique parecendo um aeromodelo) e que o bom senso seja levado em conta na hora de se montar tais adendos, não ultrapassando os limites entre o real e o funcional, portanto, podem esperar surpresas nessa minha montagem!

HISTÓRIA do Mi-24:

Em 1960, no escritório de projetos de Mikhail L. Mil (a "Mil Moscow Helicopter Plant"), nasceu o Mil Mi-24, sendo o primeiro exemplar entregue logo após a sua morte, em 1970.


O novo helicóptero foi baseado no helicóptero de transporte Mi-8 "Hip", mas não compartilhava grandes partes em comum...


Menor, mais poderoso e mais elegante do que o seu pai, o helicóptero designado pela OTAN como "Hind" viria a se tornar um dos mais bem sucedidos helicópteros do mundo.


Na época de seu desenvolvimento, no Ocidente, os helicópteros eram considerados como transporte útil e plataformas de SAR, porém o Hind era para ser o primeiro de uma nova raça: um helicóptero que, percorrendo o campo de batalha como um "tanque alado", usaria seu poder de fogo para destruir os pontos fortemente armados e veículos blindados inimigos, enquanto as tropas que ele mesmo desembarcou próximo dali poderiam ser usadas para manter terreno (um misto de helicóptero de ataque e de transporte de tropas)...



Nesta mesma época, enquanto o Exército Americano concluía que o helicóptero de ataque AH-56 Cheyenne devia ser substituído por um novo tipo mais avançado (o futuro AH-64 Apache), a URSS colocava em serviço o Mil Mi-24. Comparativamente, o "Hind" é diferente do Apache e do Cheyenne, sendo seu equivalente mais próximo no Ocidente o Sikorsky S-67 "Blackhawk", desenvolvido entre 1970 e 1972, utilizando como base a concepção de instalação do motor e rotores na popular e rentável série S-61/H-3.


No projeto, a fuselagem do Hind foi equipada com trem de pouso triciclo retrátil para reduzir o arrasto em voo. As "asas" para armamentos (conhecidas como "stubs") fornecem elevada razão de sustentação e considerável estabilidade para melhor velocidade. O rotor principal foi inclinado 2,5 para a direita da fuselagem visando neutralizar a dissimetria de sustentação ocorrida em alta velocidade e proporcionar uma plataforma de tiro mais estável.



O trem de aterragem também foi inclinado para a esquerda, de modo que o rotor ainda seria nivelado quando a aeronave estivesse no chão, fazendo com que o resto da estrutura tendesse a inclinar para a esquerda. A cauda também é assimétrica para gerar uma força lateral quando em velocidade, aliviando assim o rotor de cauda...


O "Hind" também tem alguns componentes em comum com o principal helicóptero Soviético daquele tempo: o Mil Mi-8 e, como o S-67, tem um sistema de rotor do tipo convencional totalmente articulado. Em outras palavras, usa um dos métodos mais tradicionais e mais testados de fixação das pás do rotor...



Os primeiros modelos foram enviados para as Forças Armadas Soviéticas em 1972. Os modelos da série "Hind-A" tiveram uma série de problemas: rotação lateral excessiva, mira limitada das armas e a visibilidade para o piloto não era boa...


Você pode estar se perguntando: "Como uma área tão envidraçada pode não dar uma boa visibilidade ao piloto"? Para se ter uma idéia, a "varanda" (como os soviéticos chamavam o cockpit da séria "A") embora muito envidraçada, não oferecia um campo de visão ideal: muito pelo contrário! Durante missões à noite, próximas do chão, as luzes vindas do solo eram refletidas nos vidros da copa plana que, por sua vez, fazia com que o piloto perdesse a orientação espacial. Além disso, o cockpit comum aos tripulantes diminuiu as chances de sobrevivência a um ataque direto a essa área: o piloto e o operador do sistema de armas fatalmente seriam feridos ou mortos ao mesmo tempo...


Ficou claro que uma grande reformulação da secção dianteira do helicóptero resolveria a maioria destes problemas...



A "EVOLUÇÃO" NO CAMPO DE BATALHA:

Estudos anteriores mostraram uma taxa mínima de perda de helicópteros em favor de blindados, mostrando que estes deixaram de ser os "melhores" no campo de batalha. Após as mudanças de layout das primeiras versões de cabine grande e tradicional (Hind-A), para a variante "Hind-D" de cabines separadas e assentos em tanden (projeto este que se tornaria padrão para a maioria dos helicópteros modernos), o Hind tornou-se um "caça" extremamente eficiente...


Mas embora ainda possa levar mísseis anti-tanque, não é estritamente um "assassino de tanques" como o AH-64 Apache ou o russo Mi-28N, pois é muito pesado para efeito de baixa velocidade...


Mil Mi-28N...

Assim, seu papel ficou como apoio de fogo a tanques (na estratégia soviética) favorecendo um maciço ataque frontal: Um papel que ele cumpre perfeitamente bem com seu poder de fogo, fácil manuseio em alta velocidade, robustez, confiabilidade e blindagem...


No entanto, o Mi-24 em suas versões não modernizadas, ainda sofria com a falta de precisão para navegação e ataques noturnos...


CARACTERÍSTICAS DA NOVA VERSÃO:

O Hind-D transporta no "queixo" uma metralhadora gattling 12,7 milímetros (Yakushev-Borzov YakB-12.7 - também designada: 9-A-624), com uma taxa de fogo de aproximadamente 4500 rpm e uma carga de combate de 1470 cartuchos...


Esta arma tem um ângulo lateral de fogo de 120º, 20º para cima, pode apontar quase verticalmente para baixo (60º) e é operada eletricamente...


A fuselagem é fortemente blindada e pode resistir a impactos de calibre .50 (12,7 mm) de todos os ângulos, incluindo as pás do rotor de titânio que suportam impactos até 23 mm. A aeronave é blindada também nos para-brisas dianteiros, capazes de resistir a ataques com calibre de 12,7 mm. As peças de fuselagem mais críticas são de titânio ou aço e tanques de combustível auto-vedantes completam sua proteção. O Hind fez seu nome na guerra do Afeganistão, quando foi utilizado com sucesso contra os rebeldes e foi muitas vezes visto "trabalhando" em conjunto com o Sukhoi Su-25 "Frogfoot"...


Em 1980, uma variante "Hind-E" com um canhão de 23 milímetros no lugar da metralhadora do queixo foi exportado para a Europa Oriental. Todos os helicópteros das séries "Hind" possuem cockpits blindados para piloto e atirador. Os modelos mais recentes são capazes de absorver impactos de canhão de 20 mm (padrão de diversas armas anti-aéreas)...


Pouca gente sabe que o "Hind" pode ser equipado com um gancho removível DG-64 fixo sob a fuselagem para transportar cargas...


De acordo com declarações de um ex-piloto, muitos Mi-24D e a primeira série do Mi-24V foram equipados com este gancho. As especificações técnicas para o Mi-24P também mencionam o uso deste gancho. De acordo com um piloto, cada esquadrão (12 a 18 aeronaves) deveria ter um "Zveno" (quatro helicópteros), cujas equipes estariam treinadas para este tipo de trabalho...


Quatro a seis voos de treino foram realizados com bom tempo a cada ano. Esta opção, no entanto, não foi generalizada. A decolagem vertical de um Mi-24 muito carregado era realmente problemática e, além disso, o transporte com carga no gancho causava fortes vibrações do nariz e cockpit da frente. Em caso de emergência, a carga transportada podia ser descartada pressionando um botão localizado na alavanca do passo coletivo a partir do cockpit da frente e no cockpit do piloto também havia um controle para isso. O engenheiro de voo também tinha seu próprio comando de emergência para largar a carga. O gancho é controlado eletricamente e dobrado em posição horizontal sob a fuselagem quando não estava em uso. A carga máxima suportada no Mi-24V e "P" era de 2400 kg.

Os pilotos soviéticos apelidaram essa aeronave de "tanque voador" (em russo: "letayushchiy tank"). Outros nomes não oficiais que recebeu foram "Stakan" ("Cristal"), devido às janelas como grandes placas de vidro ao redor do cockpit da primeira versão "Hind A" e "Krokodil" ("Crocodilo"), por causa do aspecto e da camuflagem do novo helicóptero.



Uma modificação chamada Mi-24B, com o nome "A-10", foi utilizada em várias tentativas de recordes mundiais de velocidade e tempo de subida. Este helicóptero havia sido modificado para reduzir o peso tanto quanto possível, e, dentre as medidas utilizadas, uma delas foi remover as semi-asas "stub". O recorde de velocidade ao longo de um curso de 1000 km fechados foi fixado em 13 de agosto de 1975 em 332,65 km/h e ainda está de pé (recordes femininos específicos estabelecidos por uma tripulação toda feminina composta por Galina Rastorgueva e Ludmila Polyanskaia)...



Em 21 de setembro de 1978, o A-10 bateu o recorde absoluto de velocidade para helicópteros com 368,4 km/h sobre um curso 15/25 km. Este registro permaneceu até 1986, quando foi batido pelo atual detentor do recorde, um Westland Lynx modificado.


Em outubro de 2007, a Força Aérea da Rússia anunciou que em 2015 iria substituir cerca de 250 helicópteros Mi-24 por 300 helicópteros de ataque Mil Mi-28 e Kamov Ka-50, mas o "Hind" ainda é único na sua configuração e deve permanecer em serviço em muitas forças aéreas dos seus países compradores, pois sabe-se que essa aeronave ainda sofrerá grandes modificações e adaptações para muitos tipos de operações e condições...



O "Hind" marcou época e hoje, novas atualizações e revisões do projeto colocam esse helicóptero em pé de igualdade com as demais modernas máquinas de combate adversárias.

CONTINUA NA PRÓXIMA ETAPA...

Texto e Fotos:

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